O que é “mercadoria” para Marx?

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KONDER, Leandro. “Mercadoria”. In: Marx – vida e obra. São Paulo: Paz e Terra, 1999, p.121-122.

Mercadoria é o que se produz para o mercado, isto é, o que se produz para a venda e não para o uso imediato do produtor.

A produção de mercadorias já existia antes do capitalismo ter começado a existir, mas foi o sistema capitalista que a generalizou. Ao se expandir, o capitalismo foi estendendo o sistema de produção para o mercado às mais diversas áreas. Em certo sentido, devemos dizer que o capitalismo foi o regime que mercantilizou a vida humana.

Tudo o capitalismo foi transformando em mercadoria. Tudo ele foi reduzindo a um valor que pudesse ser medido em dinheiro. Os ingênuos ideais do feudalismo foram sendo destruídos pela ditadura prática do dinheiro. O dinheiro foi profanando todos os cultos e tornando relativos todos os valores.

A própria força humana do trabalho – em lugar de ser reconhecida e valorizada como o meio essencial que o homem possui para a livre criação de si mesmo – foi, por toda parte, sendo transformada em mercadoria.

Por outro lado, uma vez que o trabalhador não produz a mercadoria para seu uso e sim para o mercado, uma vez que o produto de seu trabalho escapa totalmente ao seu controle e parece adquirir vida própria, o processo de produção e circulação das riquezas se obscurece e foge ao entendimento espontâneo do homem normal. “O processo da produção passou a dominar o homem, ao invés de ser dominado por ele”, escreve Marx.

As leis do mercado se impõe ao trabalho. Os preços, as cifras e as taxas de lucro comandam as operações. Os seres humanos figuram no quadro da produção apenas como instrumentos.

O movimento das coisas no mercado aparece como um movimento automático, superior à vontade dos homens. A própria linguagem cotidiana reflete isso. É comum ouvirmos frases assim: “o trigo subiu”, “o café baixou”, “o açúcar desapareceu”, “a banha vai voltar” etc.

Os economistas da escola fisiocrata chegavam a estudar os fenômenos da economia como se estes se regulassem por uma lei natural. Adam Smith acreditava, por sua vez, que tais fenômenos manifestavam a ação de uma “mão invisível”. Como no sistema capitalista a atividade produtora não se exerce em termos humanamente racionais, ela é levada a cair sob a jurisdição de uma racionalidade inumana.

A ação humana e as condições sociais em que ela se realiza assumem a aparência de uma fatalidade. A mercadoria não é vista como a expressão de um trabalho humano concreto. A verdadeira significação é oculta sob uma forma destinada a impedir que os homens vejam na economia uma realidade que eles criaram e podem sempre modificar. Essa forma constitui aquilo que Marx chamou de o fetichismo da mercadoria.


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3 responses

  1. Jessica Rodrigues Avatar
    Jessica Rodrigues

    Gostei muito do post. Bem resumido, mas cheio de informações.
    Parabéns

  2. rejane leite Avatar
    rejane leite

    sou estudante de serviço social,o texto está objetivo,pequeno e ajudou bastante inclusive de perceber que para o capitalismo tudo é transformado em dinheiro. parabéns

  3. Claudia Avatar
    Claudia

    Amei o texto, bem resumido…

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